26 de agosto de 2006

Cegueira

Thiago Kalu


Os olhos nunca mentem. No máximo, enganam. Minha única certeza é que o medo imperaria se não confiássemos tanto nos olhos. Não sei se os cegos têm medos. As vozes mentem e, no momento, ouço vozes que me trazem um prazer constante oriundo do meu suicídio paulatino. O tempo é um dos meus maiores amigos. Talvez esteja doente, e isso dói. Dói muito. Talvez eu carregue em meu peito, até meus últimos instantes, a visível lembrança de uma das mulheres que pude amar por alguns momentos (minutos ou infinitos). O sorriso é a excepcional esperança de uma saída sem dor (minto estupidamente). Não quero mais sentir as verdades que os olhares me entregam como se eu fosse um gigante. Sou fraco. Todos pensam o inverso. Mas isso não tem importância. Sofro, derreto, morro (aos poucos e sempre). Meu sangue só pulsa por poucas palavras pausadas. Tudo pensado para pedir lembranças inválidas.

7 comentários:

Lua disse...

Nunca tinha passado por aqui, na verdade nem sabia que vc tinha um blog. Aí passeando na noite "sábadadiana" e de maresia em casa resolvi dar uma espiadinha. Senti uma forte identificação com esse texto. Aparento ser o que não sou, uma grande fortaleza e meus olhos entregam o meu medo diante de tantas coisas...
Mas o que não vejo também me amedronta, então, para mim, a cegueira, não funcionaria. E, na verdade, será que há solução?
Mais e mais reflexões...
Grande beijo, Kalu
Luana Rocha

Thiago Kalu disse...

valeu, Lua!! mas eh isso mesmo!!

Lucas disse...

...
Meu olhos fechados
refletem o interior da caixa
os meus pensamentos
as minhas imaginações
os meus universos
realitário por de mais diverso
do absurdo que não é o meu
que está fora daquele eu
que percebo ao olhar pra mim
...

Anônimo disse...

Quantas coisas são reveladas através de um simples olhar..dois segundos são sufiicientes para denunciar uma mimensidao d sntimentos e desejos...por isso sou fã dos q conseguem transmitir qq um desses sentimentos através de um olhar, q p mim - na verdade -jamais será simples...e como diria Máro Quintana em um de seus versos imortais "Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação". bjsss e nem q precisa dizer q amei o poema e fico aidna mais encantada c o autor do mesmo!

bjocas menino,

Rosane

Daniela Vieira disse...

Morre não, Thi...vive! Com seus medos, certezas e olhares. Vive! Mas vive pra ser feliz, pq "é melhor ser alegre que ser triste...". Vc é merecedor de muitas alegrias.

Pablo Souza disse...

Acredito que o olhar não revela muita coisa. Olhar é um ato limitado e a prova disso é a cegueira. Se todos fossemos cegos, nao perderiamos nada. Sei que vai ter gente dizendo: "pow cara, mas tanta beleza para se ver, natureza, mulheres, homens, bichos...não iriamos ver nada disso!! POrra nenhuma!! Enxergar é de fuder!"

Enxergar é de fuder mermo! De fuder com a vida! Fode com a vida! Se o homem não enxergasse nós hoje ainda teriamos chance de não sofrer tanto. Não sou hipocrita e não vou dizer que eu queria ser cego amanha, mas se hoje se eu "cegar" por um instante, eu me encontraria comigo mesmo e seria melhor do que encontrar com as desgraças que vejo todo dia.

Raiça Bomfim disse...

A fragilidade escondida bem dentro é o que toca as coisas de fora...
Há de se ser vulnerável pra poder ser levado pelas águas, pra seguir as ondas do tempo...
E olho que sabe se contar (todo olho se denuncia, mas nem todo se confessa) faz outro olho se sentir menos só.

Beijo, neguinho.