22 de setembro de 2010

Num belo dia de outono,
Uma flor perdia seu trono,
Morrendo de tanto abandono.

Bromélia brilhante que era,
Estranhava a ausência do zelo,
Luzindo entre os raios solares
Ousados gemidos de apelo.

Deus, despertando de um profundo sono,
Inocentava o desprezo humano,
Alegando que nem era primavera.

Divindade é divindade
E uma flor é uma flor.

Outras dela virão
Unir novamente a flora e o Senhor.
Tutor eterno e relapso de sua criação,
O todo poderoso evita cuidados em vão,
Num belo dia de outono
Ou em qualquer outra estação.

3 comentários:

Lobo disse...

Kalu, poeta de mancheia! Escrever poesia dessa forma é uma brincadeira prazerosa.

viviane disse...

Q lindo, Thi!
Vc é um talento...
N sabia q vc escrevia tão bem.
Boa sorte, te adoro!

Bjos

Vivy

Nti Uirá disse...

Quero ver você recitando isso, menino! :)

ó uma de Rai Bomfim


Uma flecha que cruzou o céu abriu o espanto
na boca de todos, Avuela.

Tinha gente que nunca tinha visto uma flecha,
mas não duvidou quando viu.

A flecha veio voltando pro arco, qual bumerangue,
e o arco era o meio da gente.

Reconheceram seu corpo nela, souberam que você
é viva e que é doida e volta.

Ela arriscou nosso pensamento e do pensamento
sangraram uns corações estranhos que até hoje
ribombam.

Tá uma epidemia lá fora, Avuela, o povo tá febril
de histórias.

Depois que a flecha passou, a gente não soube
bem o que fazer:
a gente respirou fundo e aplaudiu.