14 de março de 2011

Poesia

Thiago Kalu


Se o contrário da poesia livre

Fosse a poesia presa,

Eu riscaria o meu colchão

E dormiria sobre a mesa.


Eu encheria todos os copos da casa

E brindaria solitariamente;

Beijaria todos os corpos do mundo,

Indiscriminadamente.


Cantaria solidões milenares

Em versos burocráticos

De métricas pares

E pregaria milhares de amores práticos

Aos freqüentadores dos bares mórbidos,

Amolecendo seus corações perdidos e sólidos

[desesperançosos

- com tudo e com todos].


Entretanto,

A poesia é passarada sem dono,

Que risca o céu num contra-plano

De pensamento e sentimento.


... para além dos aquários cerebrais


É cardume

Que atravessa qualquer oceano

E quando chega às mãos do humano...

- ora alimento, ora extrume.


.... ela migra por continentes mentais.


Se a poesia tivesse contrário,

Eu viveria contrariado

Quase todo santo dia

E a moça bela do calendário

Decretaria o feriado -

Santo Dia da Poesia.

4 comentários:

rr659 disse...

Belo texto, Tôco!

Amanda Rosa disse...

3 vez seguida q leio e fico encantada.!

valeria soares disse...

Lindo texto!

Anônimo disse...

lindiiiiiiissimo